
BOM DIA!
Josimar Salum
Pouco tempo atrás, eu estava lendo o texto sobre a cidade do Apocalipse, onde se fala da árvore da vida e dos seus frutos. Algo me chamou profundamente a atenção: por que doze frutos? Por que exatamente doze?
Esse texto está em Apocalipse 22, logo nos primeiros versículos:
“E mostrou-me o rio puro da água da vida, claro como cristal, que procedia do trono de Deus e do Cordeiro.
No meio da sua praça, e de uma e de outra margem do rio, estava a árvore da vida, que produz doze frutos, dando o seu fruto de mês em mês; e as folhas da árvore são para a cura das nações.
E ali nunca mais haverá maldição; mas o trono de Deus e do Cordeiro estará nela, e os seus servos o servirão.
E verão o seu rosto, e nas suas testas estará o seu nome.
E ali não haverá mais noite, e não necessitarão de lâmpada nem de luz do sol, porque o Senhor Deus os alumia; e reinarão para todo o sempre.”
A primeira pergunta que surge é:
👉 Essa árvore é literal?
👉 Esse rio é literal?
👉 O trono de Deus é literal?
O trono de Deus e do Cordeiro é literal, sem dúvida. Mas e a árvore? Ela existe como uma árvore física comum? Ou o texto está revelando algo mais profundo?
Ao longo da leitura das Escrituras, Deus tem me impressionado com algo muito claro:
a Bíblia revela uma dimensão natural e uma dimensão espiritual.
Existe um mundo visível — aquele que nossos sentidos percebem — e existe um mundo invisível, que também existe, embora não seja percebido naturalmente por nós.
Por exemplo:
Você já viu um vírus?
Já viu uma bactéria?
Já viu os micro-organismos que vivem debaixo da unha da sua mão?
Eles existem. São reais. Mas não os vemos sem instrumentos. Se víssemos tudo isso a olho nu, viveríamos apavorados.
Isso prova que o invisível não é inesistente — apenas não é perceptível sem revelação.
Lembro-me de uma experiência simples: Cristina estava dentro de um avião e começou a espirrar sem parar. Não víamos nada. Depois descobrimos que uma mulher, sentada a certa distância, havia aberto uma bolsa com um cachorro dentro. Cristina não viu o cachorro, mas seu corpo percebeu. A ameaça estava ali, ainda que invisível aos olhos.
Assim também acontece quando lemos a Bíblia.
Quando Gênesis diz que a mulher tomou do fruto e comeu, e deu também ao marido, nossa mente infantil logo imagina uma maçã — fruto do folclore religioso, não do texto bíblico. A Bíblia nunca disse que era uma maçã.
A pergunta correta é:
👉 De que dimensão o texto está falando?
Quando Jesus disse: “Eu sou o pão que desceu do céu”, Ele estava falando de uma padaria celestial? Não. Ele estava falando de uma dimensão espiritual literal — ainda que não material nos nossos termos.
Da mesma forma, quando Ele disse: “Assim como Moisés levantou a serpente no deserto, assim importa que o Filho do Homem seja levantado”, Ele não estava dizendo que olhar para um objeto salva, mas revelando uma realidade espiritual apontando para Sua crucificação.
Voltando a Gênesis, havia muitas árvores no jardim, mas duas eram especiais:
• a árvore da vida
• a árvore do conhecimento do bem e do mal
A Bíblia diz que o homem podia comer livremente de toda árvore, exceto daquela. Observe algo importante: o texto diz “de toda a árvore comereis livremente”. Não apenas do fruto.
Quando a serpente fala, ela altera a Palavra. Diz que a a árvore do conhecimento do bem e do mal estava no meio do jardim — algo que o texto não afirma. A mulher acrescenta palavras: “nem nele tocareis”. O engano começa sempre com pequenas distorções.
Agora pense comigo:
👉 Deus criaria todo o universo e colocaria o destino eterno da humanidade pendurado em uma mordida literal de um fruto físico?
Quando você lê a Bíblia inteira, verá árvores por toda parte: figueira, oliveira, carvalho, cedros do Líbano. Mas há algo curioso:
• a árvore da vida aparece apenas em Gênesis e em Apocalipse
• a árvore do conhecimento do bem e do mal aparece apenas em Gênesis e depois desaparece
Por quê?
A Bíblia também revela que o homem é descrito como árvore:
“Bem-aventurado o homem… será como árvore plantada junto a ribeiros de águas.” (Salmo 1)
Isaías diz que os redimidos seriam chamados árvores de justiça.
Isso não é metáfora vazia. É revelação.
O único ser descrito como árvore nas Escrituras é:
👉 o homem
👉 e Cristo
Cristo é claramente a árvore da vida. Quem come dEle vive eternamente.
E a árvore do conhecimento do bem e do mal?
👉 É o homem em sua independência.
O pecado não é apenas algo que fazemos.
👉 O pecado é o que nos tornamos.
A Bíblia diz que cada um é tentado pela sua própria cobiça; a cobiça, quando concebida, gera o pecado; e o pecado gera a morte.
Adão não apenas cometeu um erro — ele se tornou pecado. Ele deixou de ser semelhante a Deus. E por isso passou a pecar.
Por que você não consegue imaginar Jesus mentindo, adulterando ou roubando?
Porque Ele é a verdade. Não há como pecar sendo plenamente semelhante a Ele.
A salvação não é perdão para ir ao céu.
👉 É transformação de natureza.
Jesus se fez pecado — não porque pecou, mas porque assumiu nossa condição — para que nós fôssemos feitos justiça de Deus.
No final da história, não existe mais árvore do conhecimento do bem e do mal. Por quê?
Porque todos os filhos se tornam árvore da vida.
E então surge outra pergunta:
👉 Se não há mais doença, por que as folhas da árvore são para a cura das nações?
Porque Apocalipse não fala apenas do futuro.
👉 Apocalipse é a revelação de Jesus Cristo agora.
Você é folha para a cura das nações.
Você é fruto para a vida do mundo.
Os doze frutos não são coisas — são filhos.
E Deus não tem milhões de filhos diferentes:
👉 Ele tem um Filho.
👉 E todos nós somos um corpo em Cristo.
Essa é a revelação.
Eu paro aqui.
Aleluia.


