
O que se viu na prova de liderança do Big Brother Brasil não foi apenas um momento de tensão televisiva. Foi um retrato duro, frio e profundamente preocupante do tempo em que estamos vivendo. Em meio à disputa, o ator Henri Castelli sofreu uma convulsão e caiu no poço de bolinhas. Um ser humano em colapso, vulnerável, correndo risco real. E, ainda assim, quase ninguém se moveu.
Enquanto o corpo gritava por socorro, a lógica do jogo parecia falar mais alto. Apenas um dos participantes interrompeu a prova e saiu em ajuda. Os demais seguiram, como se a cena fosse parte do roteiro, como se não fosse gente, como se não fosse grave. Mais chocante ainda foi a demora no atendimento por parte da produção e da equipe médica — um intervalo que, em situações assim, pode significar a diferença entre a vida e a morte.
É impossível não se perguntar: até onde vai a desumanização em nome de um prêmio? Em que momento normalizamos assistir alguém passar mal e seguir adiante porque “o jogo não pode parar”? A televisão, que reflete e também influencia comportamentos, expôs ali uma sociedade adoecida, onde a competição sufoca a empatia, onde ganhar parece mais importante do que estender a mão.
Não se trata de atacar pessoas, mas de provocar consciência. Convulsão não é espetáculo. Dor não é entretenimento. Vida não é obstáculo de prova. A frieza daquela cena poderia, sim, ter levado a um desfecho ainda pior — cruel, desumano, irreversível. E isso precisa nos incomodar.
Que esse episódio sirva como alerta. Para produções, para participantes, para todos nós. Nenhum prêmio, nenhum título, nenhum minuto de fama vale mais do que a vida de alguém. Solidariedade não deveria ser exceção; deveria ser regra. Pausar o jogo para salvar uma vida não é fraqueza — é humanidade.
Que nunca nos falte sensibilidade para parar quando alguém cai, coragem para ajudar quando todos seguem, e humanidade para lembrar que, antes de qualquer disputa, somos gente. Porque no fim das contas, o maior prêmio ainda é ser humano.


