
O debate sobre o futuro de Goiás passa, inevitavelmente, pela capacidade do Estado de planejar seu crescimento com visão estratégica, inovação e integração entre setores.
Nesse contexto, merece destaque o Decreto nº 2.030, de 13 de maio de 2024, que regulamenta a Aerotrópole de Goiânia, no entorno do Aeroporto Internacional Santa Genoveva, alterando o Decreto nº 4.136, de 28 de agosto de 2023, à luz da Lei Complementar nº 349, de 4 de março de 2022. Trata-se de um instrumento moderno de política pública, alinhado às melhores práticas internacionais de desenvolvimento urbano e econômico.
O conceito de aerotrópole redefine o papel do aeroporto na dinâmica das cidades. Ele deixa de ser apenas um ponto de chegada e partida de voos para se tornar o núcleo de um ecossistema econômico, logístico, tecnológico e de serviços. Experiências bem-sucedidas em cidades como Seul, Amsterdã, Dallas, Memphis e Washington, além de projetos consolidados na China e na Índia, demonstram que esse modelo gera competitividade, atrai investimentos e reconfigura positivamente a vida urbana.
No caso de Goiânia, a Aerotrópole do Santa Genoveva nasce com objetivos claros e abrangentes: fomentar o desenvolvimento econômico e financeiro da aviação; estimular a cooperação entre indústria, comércio, serviços, universidades, centros de pesquisa e poder público; promover a qualificação da mão de obra; atrair instrumentos de fomento e crédito; incentivar a transferência de conhecimento aeronáutico; e, de forma responsável, estimular soluções ecológicas e sustentáveis. É um projeto que une crescimento econômico, inovação e responsabilidade social.
As atividades econômicas previstas no perímetro da Aerotrópole evidenciam sua força transformadora. Vão desde a indústria aeronáutica, fabricação de aeronaves e peças, centros de manutenção, aviônica e elétrica, até logística, e-commerce, hotelaria, alimentação, saúde, educação, centros comerciais, lazer e organização de eventos. Trata-se de um verdadeiro hub multifuncional, capaz de gerar empregos qualificados, ampliar a arrecadação e posicionar Goiânia como referência nacional e internacional no setor.
Além disso, o projeto dialoga diretamente com o Polo Industrial, Empresarial e de Serviços regulamentado pelo Decreto nº 4.136/2023, criando sinergias com outros polos econômicos já existentes, como o polo moveleiro do Jardim Guanabara. Soma-se a isso um robusto pacote de obras de infraestrutura urbana — calçadas, recapeamento asfáltico, sinalização viária, drenagem, construção de viaduto ligando a Ceasa ao aeroporto e duplicação de vias estratégicas — que qualificam o espaço urbano e ampliam a atratividade da região.
No campo do turismo e da aviação internacional, a Aerotrópole abre uma janela de oportunidades inéditas. A articulação entre a futura GOIÂNIATUR, a Goiás Turismo e a Concessionária de Aeroportos do Bloco Central (CCR) pode ser decisiva para a atração de voos internacionais. Esse movimento ganha ainda mais relevância diante de um marco histórico: em 2026, Goiânia será sede de etapas da MotoGP no Autódromo Internacional Ayrton Senna, evento com potencial de gerar mais de R$ 1 bilhão em ISSQN, além de projetar a capital goiana no cenário global.
Portanto, a Aerotrópole de Goiânia não é apenas um projeto urbano; é uma estratégia de Estado, capaz de impulsionar a competitividade, o empreendedorismo, a pesquisa e a inovação, fortalecendo a economia e elevando a qualidade de vida da população. Como bem pontuado no documento de autoria de Itallo Philiphe Moraes, trata-se de uma iniciativa que merece ser incorporada, aprofundada e ampliada no plano de governo.
Eu, Alan Ribeiro, ratifico integralmente esse projeto e acredito que a Aerotrópole será um dos grandes motores do desenvolvimento sustentável da capital e, por consequência, de todo o Estado de Goiás — consolidando Goiânia como a verdadeira capital de todos os goianos, preparada para o futuro.
Artigo publicado originalmente no Jornal Opção.


