
A história de Davi e Golias é uma das passagens mais emblemáticas da Bíblia. Quando pensamos na ascensão de Davi ao trono, é natural imaginar uma unção direta ao poder, com honras, coroas e aclamações. No entanto, o caminho escolhido por Deus foi outro: Ele não enviou uma coroa, mas sim um gigante. Isso nos leva a uma profunda reflexão: muitas vezes, os maiores desafios da vida são, na verdade, convites divinos para ocuparmos posições mais altas.
Quando Deus quis fazer de Davi um rei, Ele não apenas o ungiu em segredo pelas mãos de Samuel — Ele o expôs publicamente diante de um desafio que ninguém queria enfrentar. Golias representava mais do que um inimigo: era o símbolo do medo coletivo, da limitação humana e da incapacidade de agir pela fé. Davi, ainda jovem, sem armadura ou título, derrotou o gigante com coragem, fé e uma funda — e foi justamente isso que o colocou no radar de Israel e mudou o curso de sua história.
Isso nos mostra que, no reino de Deus, a glória não precede o gigante; o gigante é o caminho para a glória. O que parece ser um obstáculo intransponível pode ser, na verdade, o palco montado por Deus para revelar quem você é aos olhos do mundo — e para mostrar ao mundo quem Ele é por meio de você.
Muitos pedem a Deus promoções, bênçãos, lugares de honra. Mas poucos estão dispostos a enfrentar os Golias que vêm junto com esse chamado. A grandeza não nasce no conforto, mas no confronto. Davi não se tornou rei por herança ou conveniência, mas pela ousadia de acreditar que o mesmo Deus que o livrou do urso e do leão também o livraria do gigante.
Deus não desperdiça gigantes. Ele os usa para revelar reis. Quando você estiver diante de algo que assusta, que parece maior do que sua capacidade, lembre-se: talvez isso não seja um castigo, mas uma promoção disfarçada. Talvez seja Deus dizendo: “Eu quero te levar para um lugar mais alto, mas antes, preciso provar que você está pronto.”
Então, se Deus colocou um Golias em seu caminho, não peça uma coroa — peça fé, coragem e direção. Porque o trono que te espera depois da batalha será sustentado não pelo ouro da coroa, mas pelas marcas da superação e da fidelidade. Afinal, Deus não chama os preparados — Ele prepara os chamados, e às vezes, seu instrumento de preparo é um gigante.