J.R. Guzzo

J. R. Guzzo – Por que o trauma do “sem carteira” pior seria “sem trabalho”

Brasília(DF), 30/09/2015 - carteira de trabalho. Foto: Rafaela Felicciano/Metrópoles
Brasília(DF), 30/09/2015 - carteira de trabalho. Foto: Rafaela Felicciano/Metrópoles

Respeitável público, o novo colunista do BLOG: J.R. Guzzo

J.R. Guzzo define a boa matéria: é aquela que o leitor começa a ler, tem vontade de continuar e só para quando chega ao fim

Apartir de hoje, o Blog Do Alan Ribeiro  começa a publicar contribuições do ex colunista da  Revista Veja J.R. Guzzo. Para o autor, é uma satisfação especial começar este novo trabalho e entrar nesta equipe. Para o leitor, vamos esperar que seja algo de útil. A ideia-chave, nesta esperança, é escrever boas matérias, em cada um de seus diversos formatos.

O que é isto – “boa matéria”? Vai saber. É possível passar a vida inteira discutindo o que é uma boa matéria. Como ninguém tem tempo para tanto, a saída mais eficaz é ficar numa definição simples: boa matéria é aquela que o leitor começa a ler, tem vontade de continuar lendo e só para de ler quando chega ao fim. Faz isso porque aquilo que leu lhe satisfez algum tipo de necessidade, gosto ou anseio. Hoje em dia, no Brasil e no mundo, é necessário acrescentar mais um elemento à definição: não deixar de dizer nos textos, sempre que for possível, que 2 + 2 são 4.

Há  cada vez mais gente, hoje em dia, que ganha a vida sem ter ligação com um empregador. O Brasil e o mundo vivem numa economia nova.

Mais uma vez, com a regularidade da mudança das estações do ano, um coro mais ou menos horrorizado se levanta entre os especialistas quando o IBGE divulga os dados sobre quanta gente está trabalhando “sem carteira assinada”. Os últimos números mostram que, no momento, há 40 milhões de brasileiros “sem carteira”.

O que nunca se nota, na frase, é a presença do verbo “trabalhar”. Faz diferença. A informação do IBGE comprova, na vida real, que há 40 milhões de brasileiros trabalhando. É trabalho “informal”, sem os direitos da lei trabalhista, sem plano de saúde, no Uber ou no iFood, cobrando por serviço prestado e por aí afora – mas não é a mesma coisa, de jeito nenhum, do que estar desempregado. Experimente exercer uma atividade dessas por 12 horas corridas e veja, então, se é trabalho ou é ficar à toa.

Há cada vez mais gente, hoje em dia, que ganha a vida sem ter ligação com um empregador – por necessidade, por circunstância ou por gosto. E se o emprego que o sujeito tinha não existe mais, e não voltará nunca, por que há um robô no seu lugar? E se a atividade que exercia desapareceu? Ou se a empresa onde estava empregado fechou para o resto da vida?

Mais: e se o cidadão “sem carteira” prefere trabalhar por conta própria, porque ganha mais, ou porque se cansou de encher a própria paciência com patrões, chefes e subchefes? O Brasil e o mundo vivem numa economia nova. O emprego também é novo.

Allan Ribeiro

Minha história com o jornalismo tem uma trajetória que começou a ser escrita aos 11 anos de idade, quando comecei a representar o jornal O Diário da Manhã.
O fiz por gostar de ler e de estar informado. De entregar o jornal passei a enviar notícias da cidade a serem publicadas.
Ao visitar o jornal, em conversar com o senhor Batista Custódio, surgiu a possibilidade de publicar artigos sobre temas específicos. Foi o que fiz, e ver a repercussão só me incentivou.
Deste ponto passei a publicar também no O Popular. Como a volta do Novo Horizonte ao futebol profissional integrei a equipe da Rádio Xavantes, graças a Deus, naquela oportunidade o time subiu para a divisão de elite.

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